29.11.20

PORTO RUBY


Seja então esta alma feita em taça
a essência que me afeita a garganta,
mais ainda a atmosfera que agiganta
o delírio ao temor que o olhar disfarça.
 
Sentir o fátuo e adocicado escarlate
em límpido veio e mera sedução,
e o senso em primavera e vastidão
aparta-se e alegremente evade.
 
Somente aromas neste momento
recriam-me no sabor ao barlavento
alucinando o tempo agora ao lado.
 
Frutado elixir de um reino tão sonhado,
bebo-te a delicadeza em desaprumo
tal marca e fantasia de um dúbio rumo.

J.C.Lopes



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